sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

De tópicos a poesia

Faz quatro meses que te estudo

1. Thayná
  1.1 Thayná menina
  1.2 Thayná mulher
  1.3 Thayná gatinha
  1.4 Thayná Thayná


  • Teus olhares de carência à imposição 
  • Tua expressão de sim e de não 
  • Teu timbre de amor e de paixão 
  • Teu discurso a quem é e aos que não são 
Tentando pragmatizar tua loucura
Acabei enlouquecendo meu pragmatismo
Me perdi nos teus tópicos
Viciei nos teus beijos
Cansei de entender as incoerências da tua personalidade
Quando, entre um grito e outro
Sorri e descobri quão bela era a falta de coesão

E de tanto estudar
Percebo que não mais estudo
Por questão de poesia, meu amor
És tudo.

Você no meu mundo

O primeiro gole de chopp num dia quente
A brisa gelada no rosto da gente
O seis da tarde no relógio do escritório
E teu beijo, minha menina, me fazem feliz

Um ipê cor-de-rosa cheio de flor
O pôr do sol num dia de verão
E teu corpo, meu amor
Definem o belo pra mim

A chuva caindo na madrugada
Nossa música tocando no rádio
E tua risada esparramada, gatinha
É o que eu mais gosto de ouvir

Então me beija pra eu ser feliz
Me entrega teu corpo pra eu te amar
Dá uma risada quando eu te pegar
E vem comigo sorrir

sábado, 12 de setembro de 2015

Testamento do cansado ao impetuoso

Por trás de uma vista cansada
E ouvidos saturados de mentiras
Visto o fardo da impotência
O qual até ontem não me servia

Entendo hoje o vazio homem
Seja ele corrupto ou corruptível
Que vomita hierarquia cargo abaixo
Bêbado de poder e ambição

E lhe digo com a boca amarga
Num último suspiro de poder
Sem esperança de compreensão
O que um dia, velho, você vai entender

Essa sua tão gritada liberdade
Que você defende impetuoso na rua
Em nenhum passo já dado pelo relógio
Há de ter sido sua

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Teu beijo em poesia

Se teu beijo fosse cerveja
Eu largaria tudo pra morar no bar
Ficaria bêbado das seis às seis
Tomando teus lábios em goles pra viciar

Se teu beijo fosse um jogo
Eu perderia toda hora
Perderia o rumo, a noção e o sorriso
Sempre que tua boca fosse embora

Se teu beijo fosse o mar
Eu moraria dentro d'água
E morreria afogado
Por beber água salgada

Mas teu beijo não é nada disso
Ou talvez seja isto que seja
Uma poesia desmetrificada
Que só entende quem te beija

domingo, 6 de setembro de 2015

Te querendo em decassílabos

Eu hoje te quero de todo o jeito
De roupa, despida ou mal-humorada
Vestindo um sorriso embriagado ou
Tua blusa de seda decotada

Eu hoje quero te ver todo dia
Eu hoje quero te ver amanhã
Eu hoje te desejo em poesia
Mordendo o teu pescoço de maçã

Eu hoje te quero nua na cama
De costas, de frente e dos sete lados
Eu hoje te quero toda a semana
Me perdendo em teus seios desenhados

Eu hoje não quero saber de nada
Eu hoje só quero saber de tudo
Dos teus olhos, tua boca safada
Da tua pele, teu cheiro e teu mundo

Eu hoje quero todos os clichês
Que me façam parecer diferente
Eu hoje quero o dia com você
E perder esse dia com a gente

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Volúpias circulares

Olhar de mel docemente apimentado
Castanho agressivo embriagado
Implora soberano uma noite perdida
Pr'em conversas gélidas de almas vazias
Entorpecer o corpo com minutos de suor

Grita em silêncio o casal voluptuoso
Propositalmente me envolve em laços ardentes
Me queima por dentro em desvio orgulhoso
Me convida a domá-lo com beijos de amor

Ah! Olhos terrosos
Por que então, enfim, não explicitam
O desejo por trás desse teatro terrível
Pr'em segundos a mais eu morrer de tesão?

Beijarei-os agora.
Sem traço de pressa ou de demora
Entreguemo-nos vivos à doce paixão
Vivamos entregues à passageira ilusão

domingo, 16 de agosto de 2015

Talvez fosse Sol

Talvez eu esteja amando
Talvez você esteja
Talvez nós acertamos
Talvez ninguém certeza
Talvez a gente errou
Talvez fosse dar certo
Talvez teu beijo fosse
Meu Sol em céu aberto 
Talvez

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Rod. Vida-340

Linha do tempo correndo a vida
Em chão batido e asfaltado
Pedra, curva, buraco
Subida

Paixão acentuada a 500m
Para monotonia mantenha a direita
Sob condições de amor
Aumente a velocidade

Nunca pare na pista
Pedágio: amor à vontade
Preste atenção na vista
Não há retornos

Condução perigosa permitida
Vento gelado no rosto
Fim da rodovia da vida
Acidente

Fatal

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A moça com calor

O Sol ardendo esquenta
O moço e a moça assim, igual
Brilha forte a pintar o dia
Despejando cor no pessoal

O moço tira a camisa e põe no ombro
Não tem nada mais normal
A moça inveja o gesto simples
E se oprime ao banal

Mas "por quê?", ela pergunta
Não tem motivo de ser mal
E tira o pano como o moço
Seria errado se não convencional?

"Vadia, piranha, vagabunda!"
O ódio vem irracional
E a moça sem camisa
Se encolhe à massa patriarcal

E o Sol que trazia a cor
Ficou sem entender nada
Por que a moça com calor
Não podia ficar pelada?

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Madrugada

Madrugadece.

A madrugada canta silêncio estridente
Preenche o vazio frio do cômodo abstinente
Transborda em maré alta o medo de amor

Traz o sossego que ascende eloquente
O trabalho lógico à luz fluorescente
Transparece insegurança sob um dia de vigor

Sono.

Café amargo desce doce subversivo
Sono esconde à esmo alusivo
A ponteiros que rodam insanos à noite decompor

Corpo adepto à rotina noturna
Permanece inconsequente à manta escura
E recepciona o Sol que vem se impor

Desmadrugadece.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Manhã de versos

Teu corpo nu esticado na cama
Emaranhado solto em lençóis amassados
Ao som doce dum café pingado
Recitado suave sob o sol das seis

Teu acordar tímido é poesia cotidiana
Que amanhece subversiva e espontânea
Interpretada em versos rasos
Sobre um travesseiro de fronha burguês

E essa paixão é papel em Branco
Rabiscado com suor de cobertor
Que vai pintando a madrugada enquanto
Amanhecemos poesia à moda amor

quarta-feira, 17 de junho de 2015

No descompasso do teu passo

Você passa e eu descompasso
Você sorri e eu embaraço
Você bom dia e eu despedaço
Você um beijo e eu amasso
Você se despede e eu abraço
Você temporeia e eu espaço
Você compõe e eu desregaço
Você nitidez e eu esfumaço
Você eu-te-ama e eu me desfaço


domingo, 31 de maio de 2015

Poesia morena

Eu quero recitar a tua barriga descoberta
Cantar os versos da tua boca esperta
E sentir o teu toque me viciar

Eu quero interpretar cada sílaba da tua pele
Viajar nas tuas curvas encaixadas
E me entorpecer com a música do teu olhar

Eu quero ler o teu cheiro certo

Mergulhar no teu seio aberto
E ouvir a tua risada rimar

Eu quero viver a poesia que é o teu corpo
Esse completo antônimo de clichê morto
Composto pra amar

Então me ama, morena
Sê minha poesia mal-feita
Ainda que, em si, seja perfeita
E deixa eu te amar

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mulher Filó

Nasce Sol, depois se põe
Todo dia sobre Filó
Soberano, arde quente
Do nascer até o poente
E não tem nenhuma dó

Vai nascendo todo dia

E Filó vai trabalhando
Pega ônibus, Filó
Dona Helena tá esperando

Lava prato na cozinha

Faz almoço, limpa o chão
Deu seis horas, vai embora
Fazer janta pros meninos

Chega em casa, ela sorri

Ganha um abraço nas pernas
Em seus olhos ela vê
Um amor que lhe dá força
Pra dormir e acordar
No outro dia a raiar
Pelo amor daqueles olhos

Nasce Sol, depois se põe

sábado, 28 de março de 2015

Rotina

Bip! Bip! Bip!
Uma xícara de café.
Bom dia, cobrador! Ela está de batom.
Trabalha. Pensa. Escreve. Toma café.
Vamos almoçar?
Ela prendeu o cabelo com um lápis.
Volta. Trabalha mais. Pensa nela. Pára de pensar nela!
Tô cansado. Falta quanto? Deu seis horas.
Garçom, traz mais uma!
Puta merda, ela sorriu.
Vou falar com ela.
Não, vou amanhã.
Cadê a chave? Toma banho. Deita.
Amanhã falo com ela.
Bip! Bip! Bip! Uma xícara de café.