segunda-feira, 29 de junho de 2015

Madrugada

Madrugadece.

A madrugada canta silêncio estridente
Preenche o vazio frio do cômodo abstinente
Transborda em maré alta o medo de amor

Traz o sossego que ascende eloquente
O trabalho lógico à luz fluorescente
Transparece insegurança sob um dia de vigor

Sono.

Café amargo desce doce subversivo
Sono esconde à esmo alusivo
A ponteiros que rodam insanos à noite decompor

Corpo adepto à rotina noturna
Permanece inconsequente à manta escura
E recepciona o Sol que vem se impor

Desmadrugadece.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Manhã de versos

Teu corpo nu esticado na cama
Emaranhado solto em lençóis amassados
Ao som doce dum café pingado
Recitado suave sob o sol das seis

Teu acordar tímido é poesia cotidiana
Que amanhece subversiva e espontânea
Interpretada em versos rasos
Sobre um travesseiro de fronha burguês

E essa paixão é papel em Branco
Rabiscado com suor de cobertor
Que vai pintando a madrugada enquanto
Amanhecemos poesia à moda amor

quarta-feira, 17 de junho de 2015

No descompasso do teu passo

Você passa e eu descompasso
Você sorri e eu embaraço
Você bom dia e eu despedaço
Você um beijo e eu amasso
Você se despede e eu abraço
Você temporeia e eu espaço
Você compõe e eu desregaço
Você nitidez e eu esfumaço
Você eu-te-ama e eu me desfaço